PAULO ANDRADE COM ERNESTO OLIVEIRA

Novo ano, nova coluna.
Queremos levar até aos nossos leitores a opinião de alguns dos intervenientes dírectos nos processos de aquisição de equipamentos para trabalbar a madeira, duma forma quase informal, já que o formato escolhido, leva a que os temas sejam abordados sob a forma de uma conversa franca entre "dois amigos" muitas vezes de forma superficial e desprovídos de quaiquer interesse que não o gosto pelo sector em questão.

Difícil será por vezes transmítir com toda a fidelidade as mensagens que surgem pelo meio destas conversas, já que "mostrar" através da escrita emoções ou expressões agregadas a determinadas circunstancias não se afigura tarefa fácil para quem, como eu, não tern a veleidade de se auto julgar como um escritor capaz de transmitir todo este conjunto de características, mas tentarei efectuar o retrato da conversa e sua envolvente que a partir deste numero da Projecto 21 Magazine levaremos até vós.

Para esta primeira conversa convídamos o Sr. Ernesto Oliveira, socio de uma empresa distribuidora de máquinas e equipamentos, que apesar de não ser das empresas que há mais tempo operam no sector tem vindo a ser reconhecida como uma das mais importantes. A empresa em questào - Ernesto & Ferreíra, Lda - Representa em Portugal a conceituada marca de CNC Multiax em regime de exclusividade.

Començamos por abordar a conturbada situação economica que o país atravessa e as consequências que daí derivam para o sector do mobiliário, e dada a proximidade da última Fimap-Ferrália que decorreu na Exponor no final de Octubro, os reflexos da "crise". Paulo Andrade - como correu a última feira e como sentiu o mercado?
Ernesto Oliveira - Tendo em conta as dificuldades que o país e o mundo de forma geral atravessa a feira superou até as nossas melhores expectativas, até porque a feira de há dois anos atrás, quer ao nível da qualidade dos visitantes, quer ao nível da organização e também do volume de negócios gerados foí bastante melhor, é preciso não esquecer que a feira de 2000 motivou uma reunião de muitas das empresas originando uma exposição que deu conta da insatisfação dos exposítores, mas como dizia esta última foi positiva.

PA - Esses resultados ficaram a dever-se a alguma apresentação especial?
EO - Como habitualmente uma grande parte, se não a maior, da nossa área de exposição é reservada à Multiax e apesar de não termos nenhuma novidade especial, fizemos a prirneira aparição em feiras portuguesas com a nova série "E" que teve lançamento na Feira de Milào em Maio passado, e que tem com principais novidades a dimensão e o sistema patenteado pela Multiax apelidado de "ponte especíal", que apresenta dois motores, colocados um de cada lado, que permite trabalhar duas peças em sirnultáneo com uma grande área de trabalho (5m x 1,6m) e que se destina a médias e grandes produções. Esta máquina permite acoplar vários grupos de acordo com as necessidades de trabalho do cliente
permitindo ainda, e devido ao conceito do seu fabríco inovador, transformar a máquina para necessídades maiores, quer de área de trabalho quer de velocidade (maior produção), sendo, mais uma vez uma das máquinas de maior porte e capacidade da feira.

PA - Concorrencialmente, se é que se podem comparar qualidades...
EO - É sempre complicado comparar qualidades, de qualquer forma estamos a falar numa faixa concorrencial com uma SCM de gama alta ou corn uma HOMAG. Relativamente à CMS presente na feira, estamos acima, e isso deve-se na minha opinião, ao modelo aligeirado, motivado provavelmente pela união com SCM que é sabido tem uma política de preocupação com os preços dos seus equipamentos, e repito, em minha opiniào, o modelo apresentado não tema qualidade que os modelos anteriores nos habituaram.

PA - È frequente dizer-se que o sector do mobilíário, ao longo dos últimos anos, se tem vindo a desenvolver fruto da modernização do parque de máquinas, na tua opinião, está essa modernização a ser feita da forma correcta, isto é, tendo em conta o factor tecnologico e acima de tudo a realidade da especificidade do nosso mercado? Estará a vender-se o que realmente é adequado ou segue-se a politica do vender porque são necessários números no departamento comercial?

EO - O mercado por vezes é confuso. Sem dúvida nenhuma que o sector tem evoluído muito nos últimos anos, e o equipamento especial tem-se vendido muíto, nào que se destine a grandes produções como são os casos de países com Itália ou Alemanha mas que se destina essencialmente a proporcionar grande qualidade final de produtos, e essa tecnologia de ponta tem de facto chegado cá, e muitas das nossas empresas encontram-se equipadas com o que de melhor há no mundo. Mas atenção muitas empresas não retiram desses equipamentos o rendimento e produtivídade que é possível.

Hoje investe-se em equipamento sobretudo pela necessidade de mudanga de conceitos de fabrico ou até pela mudança de produções de linhas de mobiliário completamente díferentes do que até aqui as empresas fabricavam, e isso porque o mercado assim o exige, por exemplo quem fabricava clássico em madeira macíça e agora pretende acompanhar a evolução do mercado para usar os novos materiais (ex. MDF) e ao mesmo tempo competir em preços, querendo produzir linhas direi-tas modernas, necessita de novos equipamentos porque os existentes na fabrica não são adequados, apesar de muitas vezes serem equipamentos qualitativamente muíto bons, embora como disse uma nova linha exíja equipamentos diferentes...

PA - Isso acontece porquê? Falta polivalência às máquínas?
EO - Repara, falta realmente alguma polivalnêcia às máquinas, mas quando se afirma que as máquinas do mesmo tipo teoricamente fazem todas a mesma coisa, atenção a capacidade de trabalho não é a mesma; e dou-te como exemplo os modelos M, B e E da Multiax sendo que do modelo B só existe uma máquina, que se encontra na MOCAPE em Penafiel e que tem todos os componentes reforçados e é muito robusta, não se encontrando nenhuma outra, concorrente ou não, melhor a esse nível, e as diferenças traduzem-se essencialmente na duração e nas assisténcias que o equipamento vai necessitar, que parecem pormenores pouco importantes mas que no final se revelam de grande importância.

Por exemplo falando em furadoras, não citando marcas, existem várias marcas representadas por várias empresas, todas são CNC's, e todas frezam e furam, a diferença é que a capacidade de trabalho varia de máquina para máquina, e pela experiéncía que tenho o mais importante coloca-se na fiabilidade, já que surgem pequenos problemas ou avarias como por exemplo um sensor e a consequéncia directa traduz-se na interrupção da produção e consequente ppejuízo para a fabrica. Daí que a escolha do equipamento não deverá recair naquele que se apresenta mais económico no inicio, mas deverá ser feita uma análise profunda do equipamento disponível no mercado, como?, por exemplo aconselhando-se com empresas que já possuem esse equipamento e comparando a assistência requerida e, muito importante, a assistência prestada, e embora suspeito porque represento a Multiax a fiabilidade e duração destas máquinas aliada à capacidade e qualidade da frezagem é, sem dúvida, do melhor do que existe no mercado, e por capacidade entenda-se como exemplo ser capaz de frezar um soco com 15 cm de altura, um rodapé de madeira maciça com 15 cm de alto, que obriga a ter uma ferramenta com um porte de diâmetro de 160, apesar de todas serem frezadoras/furadoras nem todas são capazes de o fazer, garantidamente.

Daí que tecnicamente è necesário um bom aconselhamento na escolha do equipamento a adquirir e não nos deixarmos iludir por preços que à partida nos aparecem muito inferiores, tudo tem a sua limitação, e propor equipamento muito mais barato que o concorrente podeser sinónimo de que as capacidades oferecidas não são iguais, mas toma-se difícil apresentar estes exemplos através da escrita pelo que recomendo que se peçam sempre esclarecimentos com máquinas já instaladas e a funcionar em pleno. E poderia acrescentar o seguinte:

A Multiax funciona como o antigo alfaiate, faz a máquina por medida, e tem na sua gama todas as soluções que a concorrência apresenta, embora em alguns casos com inovações próprias como é o caso da ventosa de fixação rápida, indo ao encontro das necessidades do cliente e não existem obstáculos, mesmo em casos de trabalhos que surjam como muito especiais a Multiax arranjará sempre solução. Esta é uma garantia que a nossa representada oferece e que nem todas as marcas a operar no mercado podem oferecer, mas para nós é o melhor desafio que nos podem fazer, não encaminhamos o cliente para a solução mais fácil propondo a máquina que ternos mas que não se afigura como a mais adequada.

PA - Então qual é a postura de mercado adequada para uma empresa comerciante de máquinas?
EO - A postura correcta será, no nosso caso, chegar ao cliente sem uma ideia pré-defenida do equipamento a oferecer mas sim sentir do cliente qual a sua real necessidade bem como sentir o que se pretende da máquina, é muito útil visitar a instalação fabril para tomar contacto com as peças que se pretendem fabricar bem como com a produção que não é produzida dentro de portas mas que num futuro próximo pode passar a ser uma realidade, só depois podemos estudar soluções apropriadas.

PA - Queres com isso dizer que a Ernesto & Ferreira, Lda não é uma empresa comerciante de equipamentos tradicíonal, ou seja, que vão para mercado com um catálogo na pasta que faz determinada coisa e a partir daí o cliente compra ou não?
EO - Olha, vamos para o cliente sem pasta, observamos as necessidades, detectamos problemas e propomos, depois, uma ou mais soluções.
Difícilmente deixo num primeiro contacto propostas de máquinas, quando muito, deixo um catalogo que servirá como uma base mas a composição adequada é sempre discutida e proposta à posteriori.
Por alguma razão o nosso slogan é "concretizamos inovações".

PA - Pelo que me dás a conhecer a vossa empresa continua a sentir o
mercado a crescer?

EO - A crescer sim, mas por vezes de forma pouco honesta ou melhor em alguns casos pouco credível. E isso deve-se a algumas loucuras de políticas de preços que se praticam ... E porque este será um tema perfeitamente actual na próxima edição deixamos propositadamente a polémica maior para o próximo numero, até lá.